Notícias

A investigação foi desenvolvida no âmbito de um projecto financiado por fundos europeus     

Investigadores das universidades de Coimbra e de Aveiro e do Instituto Politécnico de Leiria desenvolveram materiais compósitos 'verdes' através da "combinação de diversos plásticos com fibras vegetais", anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).

Uma equipa de especialistas, liderada por Filipe Antunes, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, criou "uma gama de materiais compósitos biodegradáveis, a partir da combinação de diversos plásticos com fibras vegetais (serradura de pinho e fibras de celulose extraídas da madeira), para aplicação em diversos sectores de actividade", afirma a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

O projecto, desenvolvido em parceria com o grupo empresarial Vangest, surgiu no âmbito de uma investigação para encontrar "uma solução para o plástico não biodegradável e para os resíduos gerados pela indústria da madeira".

 

Cientistas pretendem mostrar a todos o valor da ciência contra "factos alternativos"         

Cientistas que trabalham em Portugal juntam-se em Lisboa no dia 22 a colegas de centenas de cidades pelo mundo numa Marcha pela Ciência, que pretendem seja festiva, para mostrar a todos o valor da ciência contra "factos alternativos".

A iniciativa da marcha nasceu nos Estados Unidos, onde a comunidade científica se mobilizou contra o desinvestimento na área anunciado pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, acusado pelos cientistas de desvalorizar a procura da verdade em favor de mentiras politicamente convenientes.

No dia 22 os cientistas vão estar na rua a marchar, entre o Príncipe Real e o Largo do Carmo, a fazer experiências e a procurar demonstrar a toda a gente por que é que a ciência é importante para a vida de todos. 

O neurocientista Gil Costa, um dos organizadores da marcha, disse à Agência Lusa que a ciência é um valor democrático, que faz melhores cidadãos, e que a comunidade científica não pode perder a solidariedade com o que acontece nos outros países, porque depende de colaboração internacional.

Os organizadores, que se juntaram em fevereiro através da rede social Facebook, querem politizar os cientistas, levá-los a demonstrar aos políticos que é preciso manter financiamentos e políticas que promovam a investigação, e fazer com que os cidadãos em geral também pensem da mesma maneira.

Para isso, na conclusão da marcha, a zona do Chiado será o cenário da Festa da Ciência, com núcleos de cientistas a interpelarem os cidadãos para lhes mostrar e falar de ciência, um espetáculo de comédia "stand up" na galeria Zé dos Bois e debates.

Eric DeWitt, um neurocientista norte-americano a trabalhar em Portugal, afirmou que nos Estados Unidos e na Europa se põem as mesmas questões importantes para a ciência: em que investir. 

Afirmou que no seu país de origem, onde a presidência de Donald Trump predispôs muita gente a ser ativa na contestação, acaba por ser mais fácil mobilizar a classe científica, porque questões como as mentiras proclamadas como "factos alternativos" são uma realidade que os americanos vivem.

Na Europa, assinala, ainda não se chegou a esse ponto, mas "está-se perto", receia, afirmando que os partidos nacionalistas europeus seguem a mesma cartilha.

A ciência não é dona da verdade absoluta, mas é um processo para chegar sempre mais perto da verdade, e isso é um bom princípio quer se seja cientista ou não, desde a infância, afirmou.

O sociólogo Alix Sarrouy assinalou que os europeus ainda não sentiram o efeito dos cortes no financiamento da ciência nos Estados Unidos, mas ele chegará, uma vez que o país está "na proa da ciência" e menos dinheiro lá irá repercutir-se em outros pontos do mundo.

A concentração para a marcha, replicada em cerca de 500 cidades do mundo, começa em Lisboa no Largo de São Mamede pelas 14h00.

Na sua página de Facebook, os organizadores contaram cerca de 1.400 pessoas que demonstraram interesse na iniciativa e 300 que afirmaram que vão comparecer.

 

Segundo a OMS, todos os anos 10 milhões de pessoas contraem a doença e quase dois milhões morrem

O diagnóstico da tuberculose poderá ser mais rápido e fiável com um novo teste sanguíneo para detectar a doença que só nos últimos 200 anos matou mil milhões de pessoas.

A investigação de académicos do Arizona, Texas e Washington usa a nanomedicina, com a qual pretende evitar diagnósticos errados baseados nos métodos actuais, assentes na análise da expectoração, culturas sanguíneas e biópsias invasivas aos pulmões e ao sistema linfático. 

"Estes resultados podem ser falsos negativos e, além disso, podem demorar dias até haver confirmação" da doença, cujo tratamento deve começar o mais depressa possível, afirmou Tony Hu, da universidade do Arizona. 

O novo método consegue medir a gravidade das infecções detetando a presença no sangue de quantidades ínfimas de duas proteínas que as bactérias da tuberculose produzem durante infecções activas.

Apesar de todos os anos se gastarem milhares de milhões de euros para cuidar dos doentes e evitar infecções, a tuberculose continua a ser um dos maiores riscos de saúde mundiais, estimando-se que possa estar lactente em um terço da população mundial.

Todos os anos, 10 milhões de pessoas contraem a doença e quase dois milhões morrem, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Os responsáveis pela investigação querem agora testar se o seu método se adapta a outra doenças e candidatar-se a testes clínicos na luta contra a tuberculose.

 

“Vêm aí baterias com mais capacidade, mais seguras e, também, mais baratas”           

É o inventor das baterias de iões de lítio quem o diz: vêm aí baterias com mais capacidade, mais seguras e, também, mais baratas. Resta apenas saber se será para breve.

Co-inventor dos acumuladores de iões de lítio, a solução técnica mais eficaz da actualidade e, por isso mesmo, utilizada na maioria dos casos, a começar pelas baterias dos automóveis, John Goodenough, engenheiro e professor universitário de 94 anos, líder de uma equipa de investigação neste domínio, anunciou estar a trabalhar num novo e revolucionário projecto de baterias. 

Conhecidas como baterias em estado sólido, a nova tecnologia deverá exibir, entre outras vantagens, uma densidade energética até três vezes maior que as actuais baterias de iões de lítio, garantindo, dessa forma, maiores autonomias. 

Isto significa que, para a mesma massa ou volume de uma bateria de iões de lítio, estas novas baterias em estado sólido poderão garantir o triplo da autonomia ou alimentar motores três vezes mais potentes.

Membro do corpo docente da Cockrell School of Engineering, parte da Universidade do Texas, em Austin, EUA, Goodenough revelou ainda que as novas células que integram estas baterias são produzidas a partir de vidro, podendo ser também operadas a temperaturas mais baixas.

Adicionalmente, e graças ao facto de utilizarem um metal alcalino na construção do ânodo, estas baterias deverão poder ser carregadas de forma significativamente mais rápida e sem o perigo de danificar a sua composição.

Por outro lado, fruto da sua maior condutividade, estas novas baterias deverão ser capazes de operar inclusivamente sob temperaturas fortemente negativas, até -60 graus Celsius, sendo que, graças ao estado sólido em que se encontram, anunciam igualmente uma vida mais longa, podendo cumprir mais de 1.200 ciclos.

“Custos, segurança, densidade energética, taxas de variação, descargas e ciclo de vida, são aspectos críticos nas baterias utilizadas nos automóveis, assim como nos esforços para a sua disseminação. No entanto, nós acreditamos que, com a nossa descoberta, será possível solucionar muitos dos problemas inerentes às baterias utilizadas hoje em dia”, anunciou Goodenough, em declarações reproduzidas pelos sites InsideEVs e Autoblog, assim como pela agência Bloomberg.

Para já, apenas não é claro em que etapa do desenvolvimento estão estas novas baterias, ou até mesmo quando é poderão passar para a produção em massa.

Certo, porém, é que tanto Goodenough, como a sua equipa, continuam a pesquisa relacionada com aquelas que poderão ser as baterias do futuro, assim como a patentear a descoberta.

No curto prazo, o próximo passo deverá ser um teste em condições reais, com automóveis eléctricos e aparelhos de armazenagem de energia.

 

Pág. 1 de 7