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Segundo a OMS, todos os anos 10 milhões de pessoas contraem a doença e quase dois milhões morrem

O diagnóstico da tuberculose poderá ser mais rápido e fiável com um novo teste sanguíneo para detectar a doença que só nos últimos 200 anos matou mil milhões de pessoas.

A investigação de académicos do Arizona, Texas e Washington usa a nanomedicina, com a qual pretende evitar diagnósticos errados baseados nos métodos actuais, assentes na análise da expectoração, culturas sanguíneas e biópsias invasivas aos pulmões e ao sistema linfático. 

"Estes resultados podem ser falsos negativos e, além disso, podem demorar dias até haver confirmação" da doença, cujo tratamento deve começar o mais depressa possível, afirmou Tony Hu, da universidade do Arizona. 

O novo método consegue medir a gravidade das infecções detetando a presença no sangue de quantidades ínfimas de duas proteínas que as bactérias da tuberculose produzem durante infecções activas.

Apesar de todos os anos se gastarem milhares de milhões de euros para cuidar dos doentes e evitar infecções, a tuberculose continua a ser um dos maiores riscos de saúde mundiais, estimando-se que possa estar lactente em um terço da população mundial.

Todos os anos, 10 milhões de pessoas contraem a doença e quase dois milhões morrem, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Os responsáveis pela investigação querem agora testar se o seu método se adapta a outra doenças e candidatar-se a testes clínicos na luta contra a tuberculose.

 

“Vêm aí baterias com mais capacidade, mais seguras e, também, mais baratas”           

É o inventor das baterias de iões de lítio quem o diz: vêm aí baterias com mais capacidade, mais seguras e, também, mais baratas. Resta apenas saber se será para breve.

Co-inventor dos acumuladores de iões de lítio, a solução técnica mais eficaz da actualidade e, por isso mesmo, utilizada na maioria dos casos, a começar pelas baterias dos automóveis, John Goodenough, engenheiro e professor universitário de 94 anos, líder de uma equipa de investigação neste domínio, anunciou estar a trabalhar num novo e revolucionário projecto de baterias. 

Conhecidas como baterias em estado sólido, a nova tecnologia deverá exibir, entre outras vantagens, uma densidade energética até três vezes maior que as actuais baterias de iões de lítio, garantindo, dessa forma, maiores autonomias. 

Isto significa que, para a mesma massa ou volume de uma bateria de iões de lítio, estas novas baterias em estado sólido poderão garantir o triplo da autonomia ou alimentar motores três vezes mais potentes.

Membro do corpo docente da Cockrell School of Engineering, parte da Universidade do Texas, em Austin, EUA, Goodenough revelou ainda que as novas células que integram estas baterias são produzidas a partir de vidro, podendo ser também operadas a temperaturas mais baixas.

Adicionalmente, e graças ao facto de utilizarem um metal alcalino na construção do ânodo, estas baterias deverão poder ser carregadas de forma significativamente mais rápida e sem o perigo de danificar a sua composição.

Por outro lado, fruto da sua maior condutividade, estas novas baterias deverão ser capazes de operar inclusivamente sob temperaturas fortemente negativas, até -60 graus Celsius, sendo que, graças ao estado sólido em que se encontram, anunciam igualmente uma vida mais longa, podendo cumprir mais de 1.200 ciclos.

“Custos, segurança, densidade energética, taxas de variação, descargas e ciclo de vida, são aspectos críticos nas baterias utilizadas nos automóveis, assim como nos esforços para a sua disseminação. No entanto, nós acreditamos que, com a nossa descoberta, será possível solucionar muitos dos problemas inerentes às baterias utilizadas hoje em dia”, anunciou Goodenough, em declarações reproduzidas pelos sites InsideEVs e Autoblog, assim como pela agência Bloomberg.

Para já, apenas não é claro em que etapa do desenvolvimento estão estas novas baterias, ou até mesmo quando é poderão passar para a produção em massa.

Certo, porém, é que tanto Goodenough, como a sua equipa, continuam a pesquisa relacionada com aquelas que poderão ser as baterias do futuro, assim como a patentear a descoberta.

No curto prazo, o próximo passo deverá ser um teste em condições reais, com automóveis eléctricos e aparelhos de armazenagem de energia.

 

São necessários novos medicamentos para combater 12 superbactérias resistentes aos antibióticos

"A resistência aos antibióticos está a crescer e estamos a ficar sem opções de tratamento", disse diretora-geral-adjunta

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instou o mundo a criar novos medicamentos para combater 12 superbactérias que resistem aos antibióticos e que ameaçam levar a uma explosão de doenças incuráveis.

Os agentes patogénicos "prioritários", segundo a lista da OMS, incluem germes que causam infeções mortais na corrente sanguínea, nos pulmões, cérebro ou aparelho urinário, e que não respondem a uma cada vez maior lista de medicamentos.

"A resistência aos antibióticos está a crescer e estamos a ficar sem opções de tratamento", afirmou Marie-Paule Kieny, diretora-geral-adjunta da OMS e que publicou a lista, no topo da qual aparecem as 'Acinetobacter baumannii', um grupo de bactérias que provoca patologias diversas, que vão desde a pneumonia até infeções em feridas.

A responsável alertou que se funcionar apenas a lei do mercado os novos antibióticos não serão desenvolvidos a tempo, pelo que é necessário que os governos criem políticas para aumentar o financiamento público e privado na investigação de novos medicamentos.

A OMS já tinha advertido que se nada for feito numa era pós-antibiótico as infeções comuns ou pequenos ferimentos podem transformar-se em assassinos, considerando, em comunicado, que as bactérias podem desenvolver resistência aos fármacos quando as pessoas tomam doses incorretas de antibióticos, e que estirpes resistentes podem ser contraídas diretamente de animais, da água, do ar ou de outras pessoas.

Os germes da lista da OMS, que é dividida em três categorias e que inclui entre as bactérias mais preocupantes a 'salmonella' e a 'Staphylococcus aureus', foram escolhidos com base na gravidade das infeções que causam, na facilidade com que se propagam, no número de fármacos em uso e nos novos antibióticos que estão a ser estudados.

Uma das prioridades são superbactérias resistentes a antibióticos que estão muitas vezes em hospitais, clínicas e entre pacientes que dependem de ventiladores e cateteres.

Na lista estão também bactérias resistentes aos medicamentos e que causam doenças "mais comuns" como gonorreia ou intoxicação alimentar induzida por salmonela.

A lista foi discutida com especialistas em saúde do grupo dos G20 (maiores economias mundiais), esta semana em Berlim.

 

DECivil desenvolve ferramenta para gerir os problemas da erosão costeira                                   

Como será o futuro das nossas praias? Como devemos intervir para proteger as zonas litorais? Até que ponto é eficaz a gestão costeira em Portugal? 

Estas são algumas das questões que surgem após os eventos de temporal recorrentes na nossa costa (como os verificados nos últimos dias) e que, nos últimos anos, motivaram uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da Universidade de Aveiro (UA) a desenvolver ferramentas que auxiliem a gestão costeira e contribuam para a sua eficácia.

“A tempestade que assolou Portugal nos últimos dias é o mais recente exemplo do potencial destrutivo do mar e do perigo que representa para as zonas costeiras”, lembra Carlos Coelho, investigador do DECivil e responsável pelo desenvolvimento da ferramenta Coastal Management Solutions (COMASO). 

A crescente pressão urbana nas zonas litorais e o continuado recuo da posição da linha de costa, diz o investigador, “permite antecipar cada vez mais frequentes alertas de perigo durante eventos de temporal e a necessidade de investimentos importantes para manter ou assegurar a proteção de pessoas e bens nas zonas costeiras”.

Assim, a COMASO pretende antecipar as zonas costeiras com maiores problemas, permitindo projetar diferentes cenários de evolução da posição da linha de costa e realizar um dimensionamento adequado das soluções de gestão e planeamento costeiro. 

Esta ferramenta, que deverá estar completamente operacional dentro de cerca de dois anos, resulta do trabalho coordenado por Carlos Coelho, com a participação do Pedro Narra e da Márcia Lima, mas também do André Guimarães, Bárbara Marinho e Carla Pereira, do DECivil e da respectiva unidade de investigação RISCO, e beneficia ainda da colaboração com os departamentos de Ambiente e Ordenamento, Geociências e Física da UA e diferentes instituições nacionais e internacionais, ao longo de mais de 15 anos.

A ideia que baseia o desenvolvimento da ferramenta, aponta Carlos Coelho, corresponde a dar resposta a três fases principais de análise, no processo de gestão costeira: fácil identificação dos locais de maior risco de erosão costeira, permitindo hierarquizar prioridades no que concerne às necessidades de intervenção (módulo CERA); capacidade de projeção da posição da linha de costa para diferentes cenários de intervenção de defesa costeira (módulo LTC); dimensionamento de estruturas de defesa costeira a adotar na intervenção (módulo XD-Coast).

As soluções que resultem da análise com a ferramenta COMASO, devem permitir identificar os custos e benefícios que as medidas de mitigação do problema de erosão representam, em horizontes temporais de dezenas de anos, suportando as decisões futuras de engenheiros, gestores e planeadores do litoral.

Ao integrar os três módulos (CERA, LTC e XD-Coast), a ferramenta COMASO pretende ajudar as entidades que gerem o litoral (municípios ou agências nacionais) a identificar os locais de maior vulnerabilidade e risco, discutir os impactos de diferentes medidas de mitigação do problema de erosão e dimensionar a estrutura que se considere adequada para cada local. Em estudos de menor dimensão, cada um dos módulos pode também funcionar separadamente, em qualquer fase do planeamento e gestão do litoral.

 

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